segunda-feira, 4 de julho de 2011

Torre de Experiências - Primeira Parte


Uma nova imcumbência proposta na disciplina Ensino e Identidade Docente era descrever uma aula criada por mim e compartilhar com os colegas da disciplina e outros professores. Nos cursos de teatro que ministrei e na direção de atores em grupos de teatro apliquei "Torre de Experiências", uma dinâmica batizada por mim, que consiste na construção de uma torre de macarrão que seja estável e possível de se locomover sem que ela se desmonte. Essa dinâmica já existia - brincadeira de criança e também de adultos, pois é utilizada como exercício nas graduações de Arquitetura e Engenharia - porém, adaptei sua utilidade como exercício coletivo para discutir planejamento, trabalho indvidual e coletivo, prioridades de execução, planejamento, relações sociais e otimização de recursos materiais.

Apliquei por alguns anos esta atividade com este perfil de alunos:
- Adolescentes e adultos matriculados nos cursos de teatro que lecionei.
- Crianças e Adolescentes do ensino fundamental e médio nas oficinas de teatro ministradas em programas educacionais nas escolas que oferecem o Turno Integral.

Torre de Experiências

Objetivos: Estimular o aluno a investigar a sua forma de atuação no meio social em que vive, estimular a sua percepção sobre o seu comportamento e sua forma de agir diante de um problema, fomentar um olhar crítico sobre suas obras e mais do que isso, compreender que suas ações estão ligadas a um processo de aprendizagem contínuo e que a observação, a intervenção do outro e principalmente o erro são elementos imprescindíveis na construção desse aprendizado.

Em um segundo plano, discutir as vantagens e desvantagens do trabalho individual e do trabalho coletivo, discutir valores como: belo, sólido, certo, errado e outras questões úteis que partem da observação e dos comentários dos próprios alunos.

Material:

- 20 unidades de macarrão tipo "spaguetti" para cada participante.
- 50cm de fita adesiva tipo crepe para cada participante.
- Cada participante deverá fazer a sua torre em uma mesa individual, separado dos outros participantes. Esta mesa deve ter uma base cujo tamanho seja suficiente para manipulação dos materiais e a construção da torre. Uma mesa tipo carteira escolar é adequada para a atividade.

Proposta:

O participante deve construir uma torre de macarrão que seja "alta, bonita e sólida", sendo possível movê-la de lugar sem que ela se desmonte.
Só poderão ser utilizados as 20 unidades de macarrão e somente o pedaço de fita disponibilizado pelo orientador. Ao acabar o material ele não será reposto.

Questões pertinentes à aplicação da atividade nesta etapa:

O orientador deverá ter um relógio para acompanhar o jogo e avisar os participantes quando faltarem 15 minutos para a atividade terminar, (lembrando-os que estão na metade do tempo para realizar a atividade). Posteriormente 10 minutos para a atividade terminar, 05 minutos para a atividade terminar e apenas 01 minuto, indicando para que finalizem suas propostas.

Ao terminar o tempo o orientador deverá instruir que todos deixem suas torres sobre as mesas e à distância, juntos, observem atentamente os trabalhos.

O orientador deverá permitir um tempo de observação apenas e que comentários sejam feitos espontâneamente.
O próximo passo será colocar perguntas para o grupo e discutir com eles as respostas apresentadas buscando valorizar os trabalhos, individuais, as tentativas, os erros,l estimular que os participantes encontremn as qualidades no trabalho do outro e se houver críticas que elas sejam colocadas de forma construtiva eliminando a competição:

- Qual a torre mais alta?
- Qual a torre mais bonita? Por quê? Por que esta é mais bonita para você e porque não é a mais bonita para ele?
- Ela para sozinha em pé? Como você fez para que isso acontecesse?
- O que você pensou quando começou?
- Como você preparou a sua construção? Como foi o seu planejamento? Ao acaso? Pensou em construir uma base? Derrubou e estragou alguma vez a sua torre e começou de novo? Como foi o recomeço?
- O que era mais importante para você? Que ela fosse mais alta, mais bonita ou mais sólida
- Como foi trabalhar com este material?
- Percebeu que ele poderia acabar?
- Você conseguiu usar todo material, aproveitá-lo totalmente? Só uma parte? Faltou material? Você desperdiçou material em qual etapa? Sabe dizer o porquê que isso aconteceu?
- Qual foi a sua maior dificuldade?
- Como você cuidou do tempo para fazê-la? Como se sentiu em relação ao tempo? Tranquilo? Nervoso? Preocupado?
- Você chegou a observar os outros colegas fazendo a torre? Utilizou alguma idéia dele?
- O que passava na sua cabeça durante a construção?

Estas são algumas questões que podem ser trabalhadas na atividade e que trarão questões interessantíssimas sobre o aluno, seu olhar sobre a própria obra e que possa naturalmente fazer uma auto-crítica a sua forma de executar tarefas, quais são as suas prioridades, estilo e forma de expressão.

Certamente suas respostas provocarão uma reflexão em diversos níveis sobre si mesmo e comp-arações com sua vida cotidiana.

O tempo para a fase de discussão não deve ultrapassar 30 minutos nesta primeira etapa.

O orientador desta atividade deverá expor de forma clara a proposta de acordo com a faixa etária dos participantes. É muito importante que não haja a tendência de influenciar o participante quanto a economizar o seu material, ou a forma de utilizá-lo: quebrar o palito de macarrão por exemplo é uma forma de utilização que pode ser permitida, pois ele ainda estará utilizando as mesmas 20 unidades, porém, em vez do orientador simplificar ao ser indagado sobre essa possibilidade deverá promover a reflexão do participante:

Aluno: Professor, pode quebrar o macarrão?
Professor: Você pode usar os 20 palitos, se você quebrar ainda teremos 20 palitos? Você está quebrando a regra?

É importante que o participante tome suas decisões sozinho. Ele pode escolher quebrar todos os palitos e depois precisar de palitos maiores para fazer a sua torre e terá que resolver este problema sozinho.

A primeira parte desta atividade deve ser realizada individualmente e o tempo para executar esta atividade é de 30 minutos.

O importante é estimular a observação do participante, o orientador não deve deixa-lo desamparado, mas sim estimular a sua iniciativa com perguntas que lhe ajudem a solucionar sozinho o problema proposto.

A tendência é que alguns desistam e por isso é importante estar atento ou quando o participante é criança ou adolescente tenda a distrair-se dos objetivos ou até "brincando" tentar destruir a torre do outro.

Essas iniciativas serão úteis para discussão e reflexão da turma.

O orientador deve ser sobretudo um grande observador e deverá fazer anotações sobre o processo.

Ao encerrar esta 1ª etapa o orientador deverá solicitar que cada participante remova sua própria torre para outra mesa e comprove a solidez de seu projeto.

É muito importante o deslocamento das torres para que os participantes estabeleçam iniciativas de confiança e a prova objetiva da concretude de sua tarefa.

Caso alguma torre se desmonte o orientador deverá colocar questões ao aluno para que ele ainda tenha a oportunidade de entender o que poderia ser feito para que ela se deslocasse com estabilidade e ainda, afirmar que ele chegou bem perto desta tarefa, pois conseguiu concluir uma torre alta, (pois se apenas um macarrão estivesse em pé teríamos o conceito de altura), bonita,(já que o conceito de beleza é uma variável)e outras qualidades que o orientador, os outros participantes e até mesmo ele próprio adjetivou.

Após o deslocamento de todas as torres, os participantes deverão expor as suas torres num espaço para visitação em cima de uma folha de papel, com seu nome e um título para a obra.

3 comentários:

  1. Momento nostalgia.
    Me lembro que a minha torre foi a única que não ficou em pé. :´(
    Mas isso me levou a pensar em outras coisas da minha vida, desde a primeira vez que fiz teatro.
    Essa é uma das razões de eu ter gostado tanto de fazer esta atividade, me ajudou a perceber algumas coisas sobre mim.

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