Duas grandes inspirações.
Apresento à vocês duas artistas exemplares, de enorme talento e vocação ímpar para o fazer teatral. Erika Bodstein e Valéria Marchi foram minhas professoras de Expressão Corporal e História do Teatro na minha formação como ator. Já se passaram 10 anos e isso me impressiona muito. Até hoje o trabalho sensível, dinâmico e bastante exigente realizado por elas reverbera nas minhas atitudes, na minha forma de ensinar.
No tempo em que estava no papel de aluno experimentei a entrega, a dedicação a paixão com que minhas queridas mestras conduziam suas aulas e a preocupação em fazer daquela experiência algo marcante e autêntico. Sim, cada encontro era uma grande descoberta e cada participação do aluno era uma reação, uma assinatura. Transformar conteúdos em concretudes, explorar as diversas formas de apreender era a máxima de nossas aulas. Diversos recursos eram utilizados em suas propostas, sendo cada uma delas uma oportunidade de explorar nossas capacidades em muitos sentidos.
Não bastava o conhecimento formal, éramos instigados em estender o conhecimento de nossa ferramenta de expressão - o teatro - ao nosso cotidiano, ao espaço que interagíamos, ao outro. Fascinado com o prazer de aprender e trocar e vivenciar o conhecimento, me envolvi além da sala de aula com seus projetos e idéias. Na época, fundamos a Profana Trupe Teatral, uma loucura que tenho muitas saudades e foi meu grande laboratório de pesquisa e ousadias. Com elas aprendi a defender o ofício do professor de teatro, batalhar para que o ensino desta arte nas escolas e outros espaços formais de educação sejam respeitados e difundidos, criando uma nova realidade para as formas de aprender e conhecer o mundo. Na oportunidade de escrever sobre um professor que tenha me marcado e os motivos desta escolha, presto uma homenagem a estas guerreiras, mulheres de fibra, que estão na luta com muitos outros artistas na difícil missão de se viver de teatro no Brasil.

