quarta-feira, 25 de maio de 2011

Profanas


Duas grandes inspirações.

Apresento à vocês duas artistas exemplares, de enorme talento e vocação ímpar para o fazer teatral. Erika Bodstein e Valéria Marchi foram minhas professoras de Expressão Corporal e História do Teatro na minha formação como ator. Já se passaram 10 anos e isso me impressiona muito. Até hoje o trabalho sensível, dinâmico e bastante exigente realizado por elas reverbera nas minhas atitudes, na minha forma de ensinar.

No tempo em que estava no papel de aluno experimentei a entrega, a dedicação a paixão com que minhas queridas mestras conduziam suas aulas e a preocupação em fazer daquela experiência algo marcante e autêntico. Sim, cada encontro era uma grande descoberta e cada participação do aluno era uma reação, uma assinatura. Transformar conteúdos em concretudes, explorar as diversas formas de apreender era a máxima de nossas aulas. Diversos recursos eram utilizados em suas propostas, sendo cada uma delas uma oportunidade de explorar nossas capacidades em muitos sentidos.

Não bastava o conhecimento formal, éramos instigados em estender o conhecimento de nossa ferramenta de expressão - o teatro - ao nosso cotidiano, ao espaço que interagíamos, ao outro. Fascinado com o prazer de aprender e trocar e vivenciar o conhecimento, me envolvi além da sala de aula com seus projetos e idéias. Na época, fundamos a Profana Trupe Teatral, uma loucura que tenho muitas saudades e foi meu grande laboratório de pesquisa e ousadias. Com elas aprendi a defender o ofício do professor de teatro, batalhar para que o ensino desta arte nas escolas e outros espaços formais de educação sejam respeitados e difundidos, criando uma nova realidade para as formas de aprender e conhecer o mundo. Na oportunidade de escrever sobre um professor que tenha me marcado e os motivos desta escolha, presto uma homenagem a estas guerreiras, mulheres de fibra, que estão na luta com muitos outros artistas na difícil missão de se viver de teatro no Brasil.

Portrait

Eu mudei de espaço e de figura mais uma vez. Continuo igual? A impressão ainda é a mesma. Sempe correndo, sempre  respirando em outra frequência. Parei (?) para finalmente fazer um blog que tem a missão de ser um Portfólio Educacional. Faz tempo que eu devia ter feito, mas só agora eu estou com a cabeça no lugar - se é que alguém deve ter uma cabeça. Esta missão é um pedido da Prof. Dra. Marie Jane Carvalho, orientadora da cadeira de Ensino e Identidade Docente na UFRGS. Sim,  Mary me persegue. Até o final do ano passado estava em cartaz com Mary Jane não mora mais aqui, um texto meu que falava entre tantas coisas, da dificuldade de estar fora do ritmo, dentro e fora, aqui e lá e achar isto tudo possível e razoável. Bom, com o atraso da minha hora em estar inteiro, através deste blog vou falar um pouco das  vontades e expectativas em relação a minha vida profissional como educador.
Acho Portfólio Educacional um substantivo bastante imponente para minhas ansiedades, espero que eu consiga manter a linha e chegue ao ponto.

A primeira proposta que recebi em sala de aula foi falar um pouco da minha escolha:
(Ser) professor.

Eu pensei, pensei e dia 14 de abril, quinta - feira, às 19h42, eu escolhi 207 palavras para responder:

A escolha de ser professor é vocacional. Sempre soube que ensinar ou melhor, dividir o conhecimento era um chamado. Iniciei minha trajetória nas Artes Cênicas. O teatro cercou a minha vida desde os treze anos e até então, me dedico a ele ininterruptamente. Após a minha formação como ator e diretor teatral me dediquei ao ensino do teatro em escolas e programas educacionais. Já são 10 anos de trabalho e no ano passado uma nova vontade se consolidou na minha carreira profissional: as Ciências Sociais.A vontade de aliar a ferramenta do teatro com o estudo do homem na sociedade, suas manifestações e ações me movem em direção a fomentar o saber e discutir tais relaçoes com outros atores sociais visando transformações e reflexões no meio social que estou inserido.
Eu evito e me vigio constantemente na maneira como atuo em sala de aula, preocupado em não transformar aquele momento em um espaço de alienação, onde só o professor detém a fala e organiza as informações. Meu espaço de aula tem caráter coletivo e é sempre interessado na troca e na busca da reflexão sobre os temas propostos.

Mas o que a gente organiza na escrita nem sempre é a mesma coisa quando a gente fala:

E assim eu fui.