Primeiro foi a televisão. Um canal de comunicação poderoso que na velocidade de um tufão atingiu brasileiros das metrópoles até os cantos mais distantes e impactou nas relações sociais, culturais, econômicas e políticas do país, de forma jamais vista por nós. Através dela o Brasil se inspirou, se projetou e se reinventou para o bem e para o mal. Com a "TV" fomos apresentados para algumas novidades e conceitos que até então não era parte do vocabulário comum: satélites, sinais, controle remoto, tv a cabo, pixels, enfim todas essas novidades eram sinônimos de um futuro promissor e foram associadas a uma palavra muito antiga: tecnologia. Tecnologia virou sinônimo de modernidade e por causa dela as coisas que parecem incríveis tornam - se oboletas num piscar de olhos.
Neste levante progressista surgiram muitas ferramentas poderosas de grande utilidade e largo alcance, mas a mais importante delas é coisa deste século: A Internet. Vale a pena pesquisar qual é a sua história e qual o impacto de seu nascimento. Tenho aqui uma pequena demonstração: http://www.interponta.com.br/~tutorial/suporte/comosuriguainternet.htm
O novo messias da comunicação atravessou fronteiras, físicas, geopolíticas e sociais e podemos dividir a história em "a.I." e "d.I." Paralelismos a parte arrisco dizer que os significados são os mesmos pois tudo que vem "antes da Internet" parece algo esquecido, muito antigo e até inimaginável para os nascidos "d.I" (depois da Internet".
E são estes, os filhos do "Novo Testamento da Tecnologia", os indivíduos que encontramos frente a frente em nossa árdua e cotidiana tarefa: ensinar.
Discutir Educação e Tecnologia sugere inúmeros desafios e grandes questões para debate.
É indiscutível que muitas ferramentas de comunicação já estão integradas no cotidiano dos estudantes de qualquer faixa etária e classe social. A escola não seria aquela que abre as portas para esse mundo nem seria a reguladora destes instrumentos. Cabe discutir apenas qual o seu papel neste cenário onde a informação e o conhecimento se resignficam e podem se transformar em símbolos sedimentares ou apenas um contexto volátil e simplesmente reprodutivo.
Entre outras chaves de discussão acredito que a perspectiva cultural é a mais acertada para a questão: não basta aparelhar, treinar e instrumentar professores e alunos com as novas tecnologias. É preciso uma mudança cultural nas relações entre tecnologia e aprendizado. Se os modelos pedagógicos forem excludentes, conservadores e acríticos, a soma Educação e Tecnologia será apenas uma "fachada".
A revolução que a Internet causou na vida social das pessoas provocou mudanças sensíveis na relação e na participação dos indivíduos com o meio e esta interação desestabiliza projetos pedagógicos até então cristalizados e verticalizados que não podem atender esta nova demanda.
Outra perspectiva interressante e pessoalmente a que mais me interessa como professor é a possibilidade de transformar uma iniciativa em sala de aula em algo autoral, que maximiza a expressão do aluno e pode ser dividida com qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Este intercâmbio é algo muito importante e uma prova de democracia bem consistente.
Trazer o aluno para o mundo através dessa janela de possibilidades exige muito do professor. Assim como a sociedade estipula suas regras de convívio, o mundo virtual precisa de suas regulamentações e como estas ainda estão em processo, o professor deve estar atento para essa situação.
É preciso reorganizar o pensamento e discutir que muito além de promover o acesso, a facilidade e a propagação de idéias as informações circuladas no mundo virtual não estão prontas ou dotadas de garantias absolutas, é preciso analisá-las, confrontá-las, reconhece-las e sobretudo estar atento as relações implícitas aos meios de comunicação hoje, ajustados perfeitamente ao modo e à velocidade do sistema capitalista, suas máximas de mercado e suas exigências.
Com tantas questões ainda em processo, para finalizar, aponto exemplos positivos do uso das ferramentas tecnológicas em sala de aula como algo extremamente producente e importante:
A reportagem mostra um projeto realizado na rede pública de ensino de Ribeirão Preto, interior do Estado de São Paulo, que utiliza a internet como ferramenta de comunicação didática e solidária para encontrar pessoas desaparecidas. Em sala de aula, os estudantes escrevem cartas para confortar as famílias e criam blogs e comunidades na rede em busca de informações.
Quando as pessoas compreenderem a possibilidade de "fala e ação" que estão abertas através desses canais e que hoje garantir direitos básicos de cidadania podem advir de um click, teremos o privilégio de testemunhar a Ágora dos novos tempos.
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